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O princípio da Realidade Virtual

O princípio da Realidade Virtual

Dizem que o primeiro encontro a gente nunca esquece. Pois é; até hoje lembro do meu primeiro contato com um dispositivo de Realidade Virtual, a tão falada VR de hoje.

Não foi com a máquina Sensorama, de 1956, porque eu nem tinha nascido ainda. Mas essa máquina é considerada o primeiro dispositivo de realidade virtual: além de um visor com estereoscopia, tinha som stereo, cheiro, vibrações no assento e até vento no rosto do usuário. Depois dela vieram outros modelos que se parecem mais com os dispositivos que temos hoje, como o HMD de Heiling (1960) e o Ultimate Display (1965). Meu primeiro contato com VR foi muito posterior a essas invenções…

O ano era 1998, eu estava visitando a Disney, já na minha adolescência, e lembro de que entramos em um salão de exposições de tecnologias do futuro, no Epcot Center, e havia um pequeno palanque cilíndrico, com uma escada e, acima dele, um Head-Mounted Display (HMD) – que pra mim, na época, era um “capacete de realidade virtual”.

Eu dei muita sorte da exposição estar vazia (ou fui uma tática da guia da excursão, de começar o parque no sentido contrário; não me lembro ao certo) e sei que fui direto lá. O HMD era enorme, ficava preso ao teto por um tubo onde passavam os cabos (e permitia girar 360o; não lembro ao certo, mas devia ter um limitador que impedisse o jogador de ficar dando voltas até quebrar os cabos) e tinha duas manetes como de uma moto: uma para acelerar e frear, outra para subir e descer. Nas manetes havia botões para atirar. Não parecia em nada com o Sensorama da foto acima (foi só pra criar sensacionalismo mesmo!); na real, parecia mais com o “Alladin’s Magic Carpet Ride” do Disney Quest, abaixo, mas não tinha assento:

Alladin’s Magic Carpet

O jogo era no estilo Descent (quem conhece e jogou o primeiro sabe que está ficando velho!), onde o jogador controlava uma nave que podia se movimentar em todas as direções e até pairar no ar. Os inimigos também eram naves que perseguiam e atiravam.

Não sei quanto tempo fiquei jogando aquilo (acho que no mínimo 30 min), mas só saí quando minha mãe, já muito brava, me puxou e disse que estava me procurando há muito tempo e todos da excursão estavam me esperando para ir embora.

Essa experiência foi suficiente para marcar minha vida quanto ao potencial imersivo da Realidade Virtual.

Infelizmente a tecnologia dos HMD era muito cara, ficando limitada a atrações em alguns poucos parques de diversão e a simulações militares. Só com a ousadia de Palmer Luckey, em 2012, lançando a campanha do Oculus Rift no Kickstarter, é que começou esse renascimento da VR que estamos vivenciando
atualmente.

Meu segundo contato com a VR só ocorreu muitos anos depois, mas em experiências que não dispunham de HMD: usavam telas com projeções. Mas essas histórias eu deixo para o próximo post.

Simulations Designer
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